atos 5.12-16 – os efeitos da disciplina na vida da igreja

Atos 5.12-16

12 + Os apóstolos realizavam muitos sinais e maravilhas entre o povo. Todos se reuniam regularmente no templo, na parte conhecida como Pórtico de Salomão.

13 +Quando se reuniam ali, ninguém mais tinha coragem de juntar-se a eles, embora o povo os tivesse em alta consideração.

14 +Cada vez mais pessoas, multidões de homens e mulheres, criam no Senhor.

Grande Ideia: A disciplina na igreja resultou em comunhão e crescimento em qualidade e quantidade, enquanto os milagres confirmavam que Jesus é o cristo.

INTRODUÇÃO:

                “Vimos que a igreja na plenitude do Espírito é unida, admirada e multiplicada. Satanás deseja dividir a igreja, envergonhá-la e diminuí-la, e, se o permitirmos, é exatamente o que fará”. (Wiersbe)[1]

                O que temos nos primeiros 11 versículos do capítulo 5 é o retrato da tentativa do Diabo de acabar com a igreja recém instaurada por Jesus. Ananias e Safira mentiram sobre o valor da venda do terreno para fazer parecer aos apóstolos e aos irmãos que eram pessoas dedicadas, amorosas e piedosas. Mas Deus revelou o coração pecaminoso deles e lhes direcionou uma disciplina duríssima. Eles morreram na presença de todos para os quais mentiram. Como afirmou Pedro, o intento deles era fruto de um coração que obedecia mais aos propósitos do diabo do que aos propósitos de Deus.

                O primeiro caso de disciplina da igreja mostra como Deus considera o pecado que tenta destruir o bom testemunho da obra de Deus. Lembro de um sermão pregado pelo Pr. Assis Borges Xavier, com o título: Não jogue lama na noiva! Naquela reflexão, ele relatou vários casos de irmãos que cometeram pecados escandalosos tais como o adultério, desvio de dinheiro, entre outras coisas e que quando foram questionados mentiram sobre o assunto, afirmando que não haviam cometido tais pecados, mas que o povo da cidade sempre comentava sobre estes pecados. Então a igreja acatou a palavra daquelas pessoas, começaram a orar, o pecado se tornou evidente ao ponto de não poderem mais esconder a situação, e naqueles casos citados, as pessoas que mentiram começaram a sofrer com doenças e mortes repentinas, e o Pastor Assis se referiu as pessoas que pecavam e não se arrependiam, como pessoas que estavam jogando lama na noiva de Jesus Cristo, a igreja.

                Nos nossos dias, muitos acham que a igreja deve apenas amar e jamais disciplinar. Veem a disciplina como uma forma de ódio, ou algo duro demais. Mas Deus vê na disciplina a manutenção da pureza de sua igreja, e a oportunidade de recuperação da pessoa disciplinada que acata a correção, conserta seus pensamentos e atitudes à luz das Escrituras e traz paz ao seu coração e à sua igreja. Em Hebreus 12, somos informados de que Deus açoita aos que ele considera filhos, e quem rejeita sua repreensão é porque não é seu filho.

                Qual o resultado da disciplina na igreja?

1. FORTALECE A COMUNHÃO NA IGREJA

12 Os apóstolos realizavam muitos sinais e maravilhas entre o povo. Todos se reuniam regularmente no templo, na parte conhecida como Pórtico de Salomão.

                Duas pessoas haviam morrido por forjar uma aparente devoção e piedade, algo inexistente em suas vidas. Ao mentirem sobre o valor do terreno vendido e dizerem que estavam doando o valor total para a igreja, isso faria com que Ananias e Safira fossem elogiados como pessoas dedicadas, generosas, e cheias do Espírito Santo, no entanto, toda a espiritualidade do gesto era enganosa e, como não se arrependeram do seu pecado, foram punidos por Deus, com a morte. É preciso lembrar que o pecado mata. Pode ser na hora do ato, como vemos na vida deste casal, ou pode ser numa vida de falsas alegrias e debaixo do castigo de Deus até a morte.

                O fato é que Deus não permitiu que alguém da igreja, cujas atitudes serviam aos propósitos do diabo, continuasse vivo, dando mal testemunho. O pecador não arrependido precisava ser removido para que o testemunho da igreja não fosse manchado.

                Após aplicada a disciplina divina imediata, o poder de Deus se manifestou na igreja. Os apóstolos continuaram a pregar e fazer muitos sinais e maravilhas entre o povo. A igreja começa a compreender que não se pode brincar de crente. Era preciso crer e manter-se fiel. Era preciso não se acostumar com o sagrado. A graça de Deus não era um documento de permissão para pecar. Cada crente devia compreender sua fé, conhecendo melhor o Deus a quem serve por meio de Jesus.

                Então a igreja que vê Deus disciplinando com a morte duas pessoas que viviam a fé apenas de aparência, começa a se unir mais. Os irmãos agora compreendem que precisam aprender mais de Cristo, conhecer mais de sua Palavra para servi-lo do modo correto, em santidade de vida, com dedicação, do jeito que Cristo espera e merece.

                Ainda hoje, a disciplina exercida na igreja, visa deixar claro aos seus membros que é preciso viver vida santa, que é preciso arrepender-se dos pecados, visando a quebra de comunhão e preservando sua unidade. A disciplina não é para dar satisfação ao povo, é para dar satisfação à Deus, de que sua igreja sabe que ele não aceita o pecador que não se arrepende, embora seja paciente e gracioso para com aqueles que, arrependidos, consertam seus pensamentos e ações para se ajustarem aos ensinos bíblicos.

                Uma pessoa que peca e não se arrepende, tomando iniciativa de mudança, era se torna nociva ao bom testemunho do evangelho, e gera quebra de comunhão, divisão de opiniões, entre outras coisas. Mas a disciplina visa restaurar a comunhão e gerar no coração, o temor a Deus que os conduza em união de pensamentos e ação.

                Mas além de gerar comunhão, como vimos todos se reunindo no mesmo lugar, a disciplina também:

2. GERA CRESCIMENTO EM QUALIDADE E QUANTIDADE

13 +Quando se reuniam ali, ninguém mais tinha coragem de juntar-se a eles, embora o povo os tivesse em alta consideração.

14 +Cada vez mais pessoas, multidões de homens e mulheres, criam no Senhor.

                Inicialmente, a disciplina de Deus na igreja, embora tenha gerado a união dos crentes, também gerou um certo temor na comunidade, de forma que as pessoas começaram a pensar melhor se deviam ou não se juntar à igreja. Estava visível para elas que brincar de crente poderia trazer a punição de Deus, poderia causar a morte física. Ser um cristão exigia então um novo estilo de vida, era uma decisão séria a ser tomada. O povo continuou admirando a igreja! Aquela situação de disciplina da parte de Deus apenas evidenciava que o movimento do Evangelho era algo muito sério.

                Por causa dessa disciplina, a igreja agora cresce em qualidade. Não temos relatos de alguém desistindo de seguir a Cristo, pelo contrário, somos informados que estão cheios de temor (v.11) e que estão mais unidos ainda, como lemos no verso 12. Mas essa união está melhor, os crentes estão mais dedicados, mais desejosos de conhecer a Cristo, mais preocupados em manter uma vida santa diante de Deus, mais empenhados em fazer Cristo conhecido ao povo. Esse crescimento em qualidade, gerou o crescimento em quantidade.

                Quanto mais o povo percebia que os crentes estavam dedicados e tementes a Deus, que amavam uns aos outros, que continuavam a obra de Deus com alegria, que continuaram a proclamar Jesus todos os dias, que continuavam a ajudar a quem precisava, e que lutavam para viver vida pura e santa, mais esse povo cria em Jesus, como o filho de Deus e cristo. Agora por viver de modo puro e santo, de modo dedicado e proclamando o evangelho, a igreja experimenta o crescimento em quantidade.  Mais e mais pessoas continuavam a crer no Senhor Jesus.

                Esta passagem ensina que a igreja cresce para glória de Deus quando seu crescimento numérico é fruto do crescimento em qualidade. Todos sabemos o grande número de pessoas que passam pelos bancos das igrejas, alguns batizados na infância, e que abandonaram a fé. Todos conhecemos pessoas que pecaram, foram disciplinados e acham que a igreja está errada, mas você não os vê se dedicando a Cristo e vivendo para sua glória, não vê arrependimento em suas ações e decisões. Continuam fazendo aquilo que foi o motivo de sua saída.

                Somos ensinados neste texto que Deus não quer igreja grande, mas cheia de práticas pecaminosas. Deus quer que a sua igreja seja grande, mas também que seja, de verdade, a sua igreja, um povo biblicamente saudável, cheia de gente santa, que o conhece de perto. Não cheia de pessoas vazias do Senhor, não cheia de gente que peca e não se arrepende, demonstrando brincar com a fé. Mas gente que ora, que louva, que fala de Jesus todo os dias, que dá bom testemunho de uma vida transformada por Jesus.

CONCLUSÃO:

                 A disciplina na igreja resultou em comunhão e crescimento em qualidade e quantidade, enquanto os milagres confirmavam que Jesus é o cristo.

                Deus continuou agindo na sua igreja. Nos próximos versos, veremos como a igreja avançou para fora de Jerusalém e como Deus agiu miraculosamente por meio de seus apóstolos, para confirmá-los como os formadores de sua igreja.

                A igreja melhorou após a disciplina. Ela ficou unida, os que se ajuntaram a ela, tinham temor, e os que estavam nela com intenções erradas, já não tinham coragem de ficar ali. Ela cresceu em qualidade, e continuou crescendo em quantidade para glória de Deus.

                O que aprendemos disso?

  1. Devemos exercer a disciplina bíblica, ajudando nossos irmãos a temerem a Deus e a servirem ao senhor com seriedade e dedicação.
  2. Devemos confiar na disciplina como meio de qualificar a igreja para o serviço de Cristo
  3. Devemos crer que uma igreja saudável biblicamente representa bem o Senhor Jesus e fará de tudo para que Cristo seja conhecido.
  4. Analise sua vida e verifique em que condição você se encontra: dos que levam Cristo a sério e são testemunhas fiéis do seu poder, ou dos que estão fingindo crer e poderão sofrer a punição de Deus.
  5. Enfim, há esperança em Cristo. Ananias e Safira morreram por não se arrependerem. A Bíblia diz em 1 João 1.9 se que confessarmos nossos pecados, o que incluirá arrependimento e mudança, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar da injustiça, nos colocando de volta na condição de puros e prontos para testemunhar de Jesus.

[1] Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo : Novo Testamento : volume I / Warren W. Wiersbe ; traduzido por Susana E. Klassen. – Santo André, SP : Geográfica editora, 2006. P. 547

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