Efésios 4.7-16 A Graça e o Dom de Cristo – A Base para edificação e crescimento da Igreja

A GRAÇA E O DOM DE CRISTO

A BASE PARA EDIFICAÇÃO E CRESCIMENTO DA IGREJA

Efésios 4.7-16

7 Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.

8 Pelo que diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens.

9 Ora, isto—ele subiu—que é, senão que também, antes, tinha descido às partes mais baixas da terra?

10 Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.

11 E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

12 querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo,

13 até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,

14 para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente.

15 Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,

16 do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.

 

GRANDE IDEIA: Em Cristo, todos partilhamos da graça e, unidos pelo amor mútuo, promovemos a edificação e crescimento da igreja.

 

INTRODUÇÃO:

 

                Num corre-corre de uma grande rodoviária, havia uma menina vendendo maças do amor. Mas, por causa da correria do povo, algumas pessoas acabaram por derrubar a bandeja com as maças. E só um homem resolveu parar e ajudar a pequena vendedora.

                Quando começou a recolher as frutas, o homem percebeu que a menina era cega. Então, com muito cuidado e gentileza, ele a ajudou a levantar o tabuleiro e ajuntar as maçãs. Quando a menina passou a mão pelas frutas e percebeu que algumas haviam se estragado com a queda, ela começou a ficar visivelmente nervosa e preocupada, e ela disse: “Obrigada moço, mas minha mãe vai ficar muito triste!”. Então aquele homem respondeu: “Não se preocupe, eu pago as maças que se estragaram”. Então pagou e se despediu da menina, mas ela o chamou e perguntou: “Moço, você que é Jesus?”. E ele respondeu: “Não, minha querida. Mas sou um dos amigos dele”.

                O objetivo de Paulo ao escrever aos irmãos efésios era demonstrar quem eles eram em Cristo e como deveriam agir de agora em diante, com base nesta informação. O desejo de Paulo em suas cartas sempre foi o de formar o caráter de Cristo nas pessoas, ou seja, que os irmãos se tornassem mais parecidos com Jesus (Rm. 8.29). Escrevendo aos Gálatas 4.19, ele afirmou que pelos irmãos sofria dores de parto até que Cristo fosse formado neles.

                Neste capítulo 4, Paulo depois de nos mostrar que o cristão deve agir de forma compatível com a fé que abraçou, e que esta vida envolve altruísmo e humildade em relação aos outros, vivendo uma vida digna que preserve a unidade que o Espírito Santo promove. Agora ele começa o verso 7 com um “mas”. Esta palavrinha tem muito significado para Paulo. Sempre que ele a usa nesta carta, traz um contraste maravilhoso ou uma informação importante. Em nosso texto, ele vinha falando de nossa unidade em Cristo, pela ação do Espírito Santo, mas mostra que essa unidade existente é formada de pessoas diferentes. É unidade em meio a diversidade. O Deus Pai é o mesmo, o Espírito é o mesmo, o Senhor Jesus é o mesmo para todos, nós somos um só corpo, mas somos individualmente diferentes. Para que um completo o outro. Somos membros uns dos outros.

                O verso 7 é escrito para nos informar que há uma medida de graça para cada crente. Todos temos um pouco, mas não temos tudo. Somos necessários uns aos outros. A obra de Cristo uniu pessoas diferentes, com funções e ideias diferentes para que o corpo seja completo. Assim como em um corpo temos mãos, pés, coração, pele, carne, ossos, olhos, ouvidos, veias, células, enfim, cada parte, não importando o tamanho tem uma função e não pode ser dispensado, sob pena de o corpo se tornar doente ou deficiente.

                Paulo nos mostra que se nos unirmos poderemos ajudar pessoas a conhecer o Cristo vencedor, que deve ser exaltado pela igreja.

                A pergunta é, COMO PODEMOS PARTICIPAR DO CRESCIMENTO E EDIFICAÇÃO DA IGREJA?

 

1.       RECONHECENDO CRISTO COMO REI VITORIOSO CAPAZ DE NOS ABENÇOAR.

7 Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.

8 Pelo que diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens.

9 Ora, isto—ele subiu—que é, senão que também, antes, tinha descido às partes mais baixas da terra?

10 Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.

 

                Nos tempos do Velho Testamento, quando um rei de Israel vencia uma batalha, ele despojava o rei e o povo derrotado. Levava as pessoas daquele reino derrotado como escravo e fazia um desfile entre seu povo, subindo o monte sião, até Jerusalém, que é uma cidade nas montanhas, para mostrar sua vitória entre as pessoas de seu reino. Geralmente, o rei cobrava presentes e benefícios por causa da conquista realizada.

                O verso 8 é uma citação do Salmo 68.18, que descreve esta cena. Parece que Paulo está dizendo “que o Senhor Jesus, na Sua ascensão, levou cativo o cativeiro; isto é, Ele capturou aquilo que nos tinha capturado, e anulou o seu poder” (Moody). Mas o que difere o verso 8 do Salmo 68.18, é que quando Paulo aplica o salmo a Jesus, como rei vitorioso, ele fala que Jesus não exigiu dons ou presentes para ele mesmo, pelo contrário, ele repartiu os presentes com o seu povo, neste caso, a igreja.

                Ele deu dons à sua igreja. Cada crente tem pelo menos um dom, concedido pelo Espírito Santo, para que seja participante do corpo e promova edificação dos irmãos e crescimento da igreja. No entanto, no verso 8, os dons não são exatamente as capacitações, mas as pessoas que Deus levanta para trabalhar em prol da igreja.

                Com aquela visão de que Jesus é um rei vitorioso, Paulo diz que ele subiu. Num jogo de palavras ele afirma que o que subiu é o mesmo que desceu à terra, numa referência a encarnação de Jesus. E que depois, de morto, sepultado e ressuscitado. Ele subiu novamente, (v.10) acima de todos os céus, para encher todas as coisas.

                Cristo é o rei vitorioso que vive eternamente no céu, promovendo nossa condição de servos abençoados e também vitoriosos com ele. Ele não nos cobrou os dons, os presentes, mas pelo contrário, nos abençoou com toda sorte de bênçãos nas regiões celestes e nos ofereceu os dons, para que nossa participação no seu corpo se efetivasse. Mas que dons são estes? Como participaremos da construção espiritual (edificação) e crescimento da igreja?

 

2.       IDENTIFICANDO OS DONS DE CADA PARTICIPANTE DA IGREJA.

11 E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

                Nos versos 11 a 13, Paulo faz uma citação de alguns dons que Cristo deu à igreja. É importante já de antemão destacar que nem todos os dons ainda são encontrados nos dias atuais, mas que todo crente tem pelo menos um dom espiritual. Uns para liderança, citados neste verso, outros em outras áreas, mas todos com igual importância para o reino e o ministério cristão. Vejamos os dons citados.

a.       Dom de apóstolos – Jesus teve muitos discípulos e seguidores. Mas apenas 12 apóstolos. Apóstolo é alguém que foi comissionado para ser um mensageiro de alguém. Ele é enviado com as ordens a que devia seguir. Concordo com o Pastor Hernandes Dias Lopes quando disse que “Os apóstolos tinham de ter três qualificações: 1) conhecer pessoalmente a Cristo (1Co 9.1,2); 2) ser testemunha titular da sua ressurreição (At 1.21-23); 3) ter o ministério autenticado com milagres especiais (2Co 12.12). Nesse sentido, não temos mais apóstolos hoje. (…) Expressamos nossa convicção de que, hoje, uma igreja apostólica é aquela que segue a doutrina dos apóstolos, e não aqueles que dão a seus líderes o título de apóstolos”.

b.      O dom de Profeta. Os profetas são aqueles que, movidos pelo Espírito Santo, defendem a causa de Deus e estimulam a salvação dos homens. Foram movidos pelo Santo Espírito para falar, tendo capacidade e autoridade para instruir, confortar, encorajar, repreender, sentenciar e motivar seus ouvintes. Hoje em dia não temos mais mensagens de revelação de Deus, pois as Escrituras nos dizem tudo o que precisamos saber, até mesmo após nossa morte, e o que vem nos tempos fim (apocalipse). Desta forma, não temos mais o dom de profetas, apenas o dom de profecia, entendido como a exposição fiel das Escrituras. John Stott afirma que ninguém pode reivindicar uma inspiração comparável aos dos profetas bíblicos, porque se isso fosse possível, teríamos que acrescentar as palavras destas pessoas à Bíblia e toda igreja teria que escutar e obedecer a estas palavras.

c.       O Dom de Evangelista – Evangelistas eram equivalentes aos missionários de nosso tempo. Todo crente deve ganhar pessoas para Jesus, mas há aqueles a quem Deus um dom específico para esta função.

d.      O Dom de pastores mestres – Tudo indica que pastores e mestre são funções da mesma pessoa. A função é pastorear, cuidar e ensinar a igreja. E o pastor faz isso por meio da Palavra, da Bíblia. A Palavra de Deus é o alimento, a vara e também o cajado que o pastor usa. Sem dúvida, em todos os dons citados, a palavra de Deus é o grande instrumento para a edificação da igreja.

                Paulo continua suas palavras, nos ensinando como podemos participar do crescimento e edificação da igreja, e nos versos finais ele nos ensina que é:

 

3.       CONHECENDO OS OBJETIVOS DOS DONS E DE NOSSA PARTICIPAÇÃO.

12 querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo,

13 até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,

14 para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente.

15 Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,

16 do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.

                Até agora, Paulo nos mostrou que o Cristo vitorioso nos capacitou com dons espirituais para que seu reino e sua igreja fosse edificada e crescesse. A base inicial para isto se dá com líderes que ensinem fielmente as doutrinas bíblicas dos apóstolos. Mas agora, Paulo nos explica quais os objetivos de Cristo em dar estas pessoas (dons) à igreja.

                Em primeiro lugar, está o aperfeiçoamento dos santos (v.12). Santos são todas aquelas pessoas que creram em Cristo e que agora fazem parte de sua igreja. Assim, apóstolos e profetas foram dados no passado para fundamentarem as doutrinas da igreja, e ainda hoje, evangelistas e pastores-mestres devem expor tais doutrinas à igreja, visando a capacitação de todos os crentes. A palavra tem o sentido de tornar o crente apto para o serviço do ministério. Lembre que o ministério que nos foi dado foi o de reconciliar pessoas com Deus, por meio da evangelização, e umas com as outras, por meio do crescimento espiritual e comunhão.

                Paulo também ensina que os pastores e mestre não são aqueles que farão a obra do ministério, mas que capacitarão os membros da igreja para este serviço.

A palavra grega traduzida para serviço é diakonia, e é usada para descrever o trabalho de todos os crentes. Assim, o ministério não é do pastor, mas de toda a igreja. Somos todos colegas de ministério, colegas do serviço cristão.

                Também precisamos edificar o corpo de Cristo. Faremos isso, quando todos, cada um com seu dom, com sua capacidade dada por Deus, utilizar o que recebeu para abençoar o outro. No verso 13, o objetivo de tudo é conduzir à maturidade da igreja toda. Não de alguns apenas. O estado de homem maduro semelhante a Cristo, não é uma opção para a liderança, mas para todo crente, que unido aos demais, levará a igreja a este nível. É um estado conjunto e não individual. Todos participam para que todos amadureçam em Cristo.

                Em segundo lugar, Paulo apresenta no verso 14, que outro objetivo de sermos treinados e capacitados pelos pastores-mestres é evitar a falta de maturidade espiritual típica de crianças, evitando que doutrinas falsas, que vem como um vento tempestuoso, um furação destruidor, alcance nossos irmãos e minem sua fé, tornando-os presas fáceis.

                E como tem irmãos que gostam das experiências e novidades, e não se firmam nas Escrituras. São pessoas sem firmeza das doutrinas bíblicas. Por exemplo, pelas escrituras temos provas contundentes de que o crente não perde a salvação. Não compreendo como alguns conseguem mudar para igrejas pentecostais que dizem que o cristão perde a salvação. Não consigo entender, como alguns vão atrás de milagres e outras experiências, negociando a verdade bíblica por visões, e doutrinas não bíblicas, de gente enganadora e falsa.

                Por último, somos convidados por Paulo nos versos 15 e 16, a seguir a verdade em amor, a crescermos em Cristo, pois ele é a cabeça da igreja. E a trabalharmos, cada um na sua função, com dedicação. Todos cooperando para o crescimento da igreja. Todos agindo para edificar o outro. Todos permitindo-se ser bênção para outro. Não reclamando ou criticando, mas colocando-se à disposição para o trabalho.

 

APLICAÇÕES:

1.       Em Cristo, todos partilhamos da graça e, unidos pelo amor mútuo, promovemos a edificação e crescimento da igreja.

2.       O Cristo vitorioso tem dado dons espirituais a cada crente visando o crescimento e edificação da igreja. Qual é o seu dom? descubra e use-o para abençoar outras vidas.

3.       Lembre-se do seu compromisso de fazer sua igreja crescer de forma saudável. Trabalhe. Seja voluntário. Faça a obra do ministério. É sua função fazer. Precisa de ajuda para isso. Fale comigo, seu pastor. Posso ajudá-lo.

4.       Ore, para que nossa igreja faça diferença na vida de todos e de nossa comunidade. Amém.

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